Vou filosofar um pouquinho nessa postagem. Bem pouquinho mesmo, certo? Eu fico impressionado com a relação que as pessoas mantêm com este segmento da economia. Imagino (sem nenhum dado estatístico para fundamentar essa suposição) que a maioria das pessoas que reclamam dos bancos e financeiras o fazem após se verem incapacitadas de sair da bola de neve representada pelos empréstimos que fez. Presumo, também, que não são pessoas de baixa escolaridade que demonstram indignação, mas alguém que tem total consciência das conseqüências advindas da assinatura do contrato de empréstimo.
Sei que vou ser criticado fortemente por isso, mas vejo a questão dos empréstimos para o consumo das pessoas às quais me referi no parágrafo anterior da seguinte forma: o banco age como um traficante, fornecendo a droga para satisfazer o vício do dependente das compras. Ou melhor, daquele que não sabe estabelecer: (1) um padrão de vida adequado ao seu rendimento e (2) não é capaz de elaborar uma programação financeira capaz de garantir uma reserva para os momentos de dificuldade.
Talvez porque o álcool seja uma droga lícita, nunca fiquei com raiva do garçom ou do dono do restaurante. Se o preço do chope estiver alto, eu procuro outro lugar, ou bebo um suco, ou nada. O mesmo acontece com os contratos bancários: eles são lícitos.
Mais uma coisa engraçada que também vou comentar em detalhes mais para frente é o seguinte: coloque-se no lugar daquele amigo que empresta dinheiro para outro e este último não paga. Começa a esquivar-se. Deixa de freqüentar a casa ou o escritório do primeiro, e por aí vai. Você não ficaria muito revoltado? Algumas pessoas acham que o banco tem que achar bom, pois, foram cobrados juros. Ora, mas se o empréstimo não for pago, o prejuízo será representado não apenas pelos juros, mas pelo principal também. Além disso, todos os termos da operação estavam descritos no contrato (aquele que pouquíssimos se dão ao trabalho de ler). Se achar as condições injustas é só não assinar.
Aí, sempre aparece um emgraçadinho que diz: mas se não fosse assim, não conseguiria o dinheiro. Claro que não! Isso comprova o que eu disse anteriormente sobre a consciência do ato. A pessoa não quer nem saber e tasca sua assinatura em um pedaço de papel, pega o dinheiro e diz assim: “depois eu resolvo…”
No meu entender, a saída para um comportamento adequado das pessoas com relação ao consumo e ao crédito é a educação e a disciplina. E é isso que me motiva a escrever por aqui.

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Beto Veiga

Humberto Veiga é advogado nas áreas bancária, empresarial e planejamento sucessório. Doutor em economia pela Universidade de Brasília. ɉ também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.
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