O Banco Central está com uma regra em audiência pública para que as instituições financeiras implementem ouvidorias para atenderem às reclamações dos clientes.
Eu, sinceramente, acredito que a vocação do BC não é essa. Em que pese a extrema competência dos funcionários de carreira daquela instituição, a diretoria, nomeada é, na maioria das vezes, desvinculada ao órgão e não tem muito motivo para defender o consumidor. Afinal, se não eram banqueiros (chamo de “banqueiros” não apenas os donos dos bancos, mas os diretores dessas instituições que detêm participação acionária e que se encontram como responsáveis pelo banco junto ao BC) antes de ingressarem na diretoria daquela autarquia, têm uma grande probabilidade de sê-lo após saírem.
Nada demais até aí. O mundo é assim mesmo e, se eu fosse dono de um banco iria fazer tudo para colocar um diretor meu por lá ou contratar alguém que acabou de sair.A conclusão, porém, é que o BC deveria funcionar no sentido de garantir a estabilidade macroeconômica do País e do sistema, de modo que tanto os bancos quanto toda a população saem ganhando. Aspectos relativos à defesa do consumidor deveriam ser tratados por quem tem vocação para tal, como bem entendeu o Supremo Tribunal Federal (vejam postagem anterior).

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Beto Veiga

Humberto Veiga é advogado nas áreas bancária, empresarial e planejamento sucessório. Doutor em economia pela Universidade de Brasília. ɉ também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.
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