Riscos da Renda Fixa

Conforme prometido, vou falar rapidamente e exemplificar as questões relativas aos riscos associados com a renda fixa. Esse material deriva de um curso que ministro sobre investimentos.
Risco de crédito:
-Risco de não receber o valor em função do não pagamento do devedor.
-Risco soberano (quem decide se vai pagar ou não é o governante).
-A medida do risco soberano representa a avaliação da capacidade/interesse do governo em honrar suas dívidas.
-Ainda assim, o título público emitido pela União é o instrumento de menor risco de crédito dentre todas as opções disponíveis no País, porque é o Governo quem emite a moeda e quem estabelece as leis, podendo impor restrições ao pagamento externo.
Exemplos de títulos privados são os CDB’s, as Debêntures, Notas Promissórias, etc.
Risco de Mercado:
No caso dos títulos pré-fixados, Ele aparece quando há variação nas taxas de juros, que pode causar ganhos ou perdas para os investidores. O risco de mercado é, mais amplamente, o risco de variação de preços. No caso do mercado financeiro temos o risco de variação de preços no câmbio (subida ou descida do dólar), nas ações, nas commodities, nos derivados (opções), e nas taxas de juros, como já falamos.

Vamos ver um exemplo prático:
-Valor de face do título (ou cheque pré): R$ 1.000,00
-Prazo do título: 1 ano
-Taxa de juros do mercado no dia 1: 13% ao ano
-Valor “de mercado” do título no dia 1: R$ 884,96

Se a taxa de juros cair no dia seguinte para 12% a.a., o valor de mercado do título no dia 2 será de R$ 892,86 e você terá ganho R$7,90, o que representa um ganho em apenas um dia de 0,89%. Se você mantiver o dinheiro aplicado, receberá os 13% ao ano combinados inicialmente.

Por outro lado, se a taxa de juros subir no dia seguinte para 14% a.a., o valor de mercado do título no dia 2 será de R$ 877,19 e você terá perdido, se precisar resgatar nesse dia R$7,77, o que representa uma perda, em apenas um dia, de 0,88%. Se você mantiver o dinheiro aplicado, receberá os 13% ao ano combinados.

Moral da história, nos títulos pré fixados você corre risco, em função da variação da taxa de juros, de receber uma taxa maior ou menor do que a que aplicou inicialmente se precisar desfazer a operação no meio do caminho.

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Beto Veiga

Humberto Veiga é advogado nas áreas bancária, empresarial e planejamento sucessório. Doutor em economia pela Universidade de Brasília. ɉ também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.
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2 Comentários

  1. Beto, bom dia!
    Tenho em bom ,
    dinheiro investido em LTN para 01/01/2017,compradas em agosto de 2013 com taxa de 11,10%, como hoje este titulo esta oferecendo taxa em torno de 13%, não seria vantagem vender e reaplicar no mesmo titulo com uma taxa maior, pela época que apliquei a cobrança de imposto hoje está em 20%. neste caso de venda eu perderia dinheiro.
    Agradeço antecipadamente sua resposta.

  2. Author

    Olá, José,
    Vou responder com uma postagem. Posso adiantar que vender e comprar no mesmo dia, sem que haja variação positiva nas taxas de juros, é uma péssima ideia. Depois eu explico. (Há material sobre esse tema já disponível no blog)
    Abraço do Beto

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