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O que é ficar vendido

“No popular”, ficar vendido é bem diferente da linguagem financeira.
Enquanto no primeiro caso a expressão significa desconhecer o assunto ou deixar de ser informado sobre alguma coisa, em finanças a expressão quer dizer outra coisa: correr o risco de variação positiva de preços.

Lindo, não? Aliás, eu estou aqui para complicar e não para facilitar, não é mesmo?
Bom, voltemos para o mundo real. Vamos pensar o seguinte: você pede um dinheirinho emprestado ao seu cunhado. Ele diz que vai viajar e que precisa que você restitua (esperançoso o rapaz, não?) a quantia tomada corrigida pela variação do dólar.

Se você topou os termos desse empréstimo, estará “vendido” em dólares. Agora vamos ver o que é “correr o risco de variação positiva de preços”. Se a cotação do dólar subir, você perde, porque o valor em reais da sua dívida aumentará.

Para quem está “vendido” em alguma coisa, a torcida é para que o preço dessa coisa caia, de modo que você possa pagar menos na hora de liquidar o papagaio.

Ficar vendido também é uma opção para quando estamos prevendo a baixa de algum preço e queremos ganhar dinheiro com esta situação. Se você acha que a bolsa vai cair, como você pode ganhar dinheiro com esta queda? A resposta é direta: ficando vendido. É mais ou menos como pedir emprestado e pagar menos do que você recebeu.

Por fim, aproveitando a época natalina, vou dar uma dica de como aproveitar o conceito de ficar vendido. Pense o seguinte: o que vai acontecer com certeza após o Natal? Os preços dos produtos vão cair, certo? Que tal ficar “vendido” nos presentes? Isso mesmo, em vez de dar o presente em si, dê um vale presente para ser “descontado” nas primeiras semanas de janeiro. O presenteado pode até não gostar de receber o vale na noite natalina, mas seu bolso vai agradecer.

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Categoria(s): Comportamento financeiro, O que é


Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

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