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Inclusão Financeira

Queria aproveitar esse momento em que está havendo grande repercussão a questão do nível de endividamento dos consumidores brasileiros para trazer um conceito: inclusão financeira.

Minha idéia, antes de tudo, é a de garantir um consumo contínuo que significa possibilitar ao cidadão a aquisição dos produtos de seu interesse de maneira sustentável. A sustentabilidade a que me refiro, tem uma certa alusão à questão do meio-ambiente, mas as espécies que, de fato, estão ameaçadas de extinção são a “galinha dos ovos de ouro”, que é o consumidor e aquelas outras que o incluem em sua cadeia alimentar. Esta morte é, de fato, uma metáfora para explicitar a questão da exaustão de sua renda. Um consumidor sem renda não é, logicamente, um consumidor!

Vem agora o novo conceito: inclusão financeira. De antemão quero dizer que essa denominação passa longe da tão utilizada palavra “bancarização”. Enquanto esta última significa colocar o cliente para utilizar serviços bancários, inclusão financeira é pré-requisito para tal. A inclusão financeira deve se dar de modo a capacitar a população para decidir se quer ou não “bancarizar-se” e qual a melhor forma de fazê-lo.

As pessoas podem até dizer: “mas isso já existe e é a educação financeira”. Eu acho que o conceito vai um pouco além, porque se fosse assim não estaríamos discutindo a “inclusão digital”, porque já existem os cursos de informática. Inclusão financeira deve ser um esforço nacional no sentido de capacitar as pessoas a entender como o mundo funciona do ponto de vista do dinheiro.

Não quero imaginar que o programa de inclusão digital esteja sendo desenvolvido para fazer com que as pessoas aprendam a utilizar ferramentas de informática do tipo comunicadores instantâneos e páginas de relacionamento. Para mim, a inclusão digital é fazer com que as pessoas compreendam como as conexões eletrônicas e de comunicação influenciam as suas vidas agora e que tipo de comportamento com relação a isso elas devem adotar, dentro das restrições ou das possibilidades dia-a-dia.

Creio que com isso, fui capaz de situar o que pretendo dizer quando o assunto é a inclusão financeira. É uma idéia a mais para competir por espaço junto à enorme lista de assuntos de políticas públicas a implementar, mas ela está aí.

Sobre esse assunto, cai como uma luva um discurso de Ben Bernanke, o presidente do Federal Reserve Board (o grupo dos bancos centrais regionais norte-americano), pronunciado dia 9 de abril na conferência conjunta do Jump$tart Coalition for Personal Financial Literacy e do Federal Reserve Board, ocorrido neste órgão, em Washington, que pretendo comentar na próxima postagem.

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Categoria(s): Artigos, Comportamento financeiro, Crédito


Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

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