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Comentário sobre desconto e liquidação

A leitora Vanessa Garcia fez o seguinte questionamento:

“gostaria de saber sobre descontos e liquidações. Qual o seu conceito.”

Acredito nas duas coisas, mas desconfiando.Não acho que seja o caso de escrever um tratado sobre os dois itens, mas vamos discuti-los um pouco.

Começando pelo desconto, lembro que o comércio se dá quando alguém compra um produto por um determinado preço, aplica uma margem e coloca o produto à venda.

A margem deve ser suficiente para garantir que os custos sejam cobertos e que sobre algo para o empresário (lucro).

Para que o empresário conceda desconto, é necessário que ele esteja disposto a abrir mão da margem, o que implica (sem se limitar a isso) que os custos sejam menores ou que ele abra mão de parte do seu lucro.

Nesse ponto, é necessário observar se o desconto é real ou se é fictício, ou seja, nada mais do que a redução de um preço que estava alto. Para isso é preciso comparar com a concorrência e realizar alguma pesquisa.

Quanto às liquidações, a idéia é semelhante ao caso anterior, mas o desconto é aplicado de forma generalizada.

Um ponto a observar é o seguinte: existe um conceito muito bem conhecido dos empresários do comércio que é a sazonalidade, isto é, a variação no volume de vendas com relação a determinadas épocas do ano (datas especiais, clima, etc.). Isso quer dizer que, em determinados casos, a margem de lucro nas épocas mais propícias tendem a ser maiores para que, nos períodos em que o volume de vendas diminuir, possam ser feitas liquidações, uma vez que os descontos não afetarão as margens de lucro, uma vez que já foram obtidas anteriormente.

De fato, o empresário que age com planejamento, entende este comportamento das vendas e, assim como a pessoa diligente, mantém uma reserva financeira para esses momentos.

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Tags:

Categoria(s): Comportamento financeiro, Consumo, Interação


Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

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