VGBL ou PIBB, qual escolher?

junho 30, 2008 on 8:32 am | Em Aposentadoria, Artigos, Interação, Planos de previdência, Sem categoria, Tributação, como investir |

Vejam a pergunta do leitor Ricardo:

Oi Beto!

O que é melhor pra aposentadoria (daqui 30 anos): comprar pibb11 mensalmente, ou fazer aportes mensais num VGBL agressivo (49% em ações)?

Uma das minhas dúvidas é como a tributação afetaria os resultados.

Obrigado,

Ricardo

Esta ótima pergunta me estimulou a fazer o artigo. Não vou indicar investimentos, como sempre registro, mas vou destacar as características que considero principais dessas duas formas de investimentos para que você possa tomar a sua própria decisão.

Vamos começar destacando que, como foi muito bem notado pelo Ricardo, a composição do VGBL permite o máximo de 49% da carteira em ações. Isso significa que, se você quiser aplicar um percentual maior, não será uma boa opção

Isso quer dizer o seguinte: O VGBL recebe o dinheiro da sua aplicação e divide em dois (ou mais) fundos. Um deles, para onde irá 49% do valor que você aplicou, será de ações. O restante, será aplicado em fundos de renda fixa ou referenciados DI, por exemplo. Dessa forma, se as ações renderem 15% e os fundos de renda fixa 10%, então, o retorno total será de (0,51 x 10%) + (0,49 x 15%) o que representa um retorno de 12,45%.

Se você quiser se sujeitar a um risco maior e aplicar um percentual superior a 49% em ações, conforme mencionei anteriormente, não será possível com a utilização do VGBL.

Em termos de custos, o VGBL normalmente tem uma taxa de carregamento, de modo que, se for fixa, facilita a sua comparação, mas piora o resultado, porque você não terá a vantagem de pagar menos se investir mais. Da mesma maneira, a taxa de carregamento pode ser cobrada na saída, há algumas empresas que isentam esta taxa na saída se o dinheiro ficar aplicado por um período longo (às vezes 24 meses).

Com relação à taxa de administração, o PIBB cobra mais ou menos 0,059% ao ano (corrigi este dado), o que é algo que você não encontra no Brasil (raramente encontrará no mundo) para valores de aplicação inferiores a R$ 200,00. Por outro lado, as corretoras cobram a taxa de custódia mensal, que é única tanto para aplicações em ações quanto para a manutenção do PIBB. Isso significa que você se depara com um custo adicional que precisa ser levado em consideração.

Vou fazer uma breve simulação de quanto a taxa de custódia pode representar sobre o montante da sua aplicação, de modo que você possa comparar com a taxa de administração cobrada nos planos VGBL.

Taxa de custódia de ações comparada à taxa de administração
O Valor das células dessa tabela indicam a taxa de administração anual equivalente. Calma, este nome é longo, mas significa o seguinte: se a corretora cobrar R$ 10,00 por mês de taxa de custódia, e o saldo da sua aplicação é de R$ 10.000,00 seria o mesmo que investir em um fundo de investimentos ou VGBL que cobrasse uma taxa de administração de 1,2% ao ano. Veja que se o volume da aplicação aumenta, a “taxa de administração equivalente” diminui.

Nesse ponto, vale verificar também o seguinte: é melhor aplicar no PIBB diretamente ou por meio de um fundo de ações PIBB administrado por um banco? Com relação às taxas de administração fica fácil comparar com a tabela que forneci, mas tenha sempre em mente que, a partir de um patamar, a taxa de custódia é melhor do que a de administração, porque a primeira ficará fixa e esta ultima será sempre calculada com base no valor que você tem aplicado. A taxa de administração é uma espécie de sócia do seu investimento.

Há outro aspecto, que é a questão do imposto de renda, que será tratado a seguir.

Uma coisa é certa quando falamos de impostos: nunca teremos a menor idéia de como eles estarão no futuro. Dito isso, o que sei hoje é que, se você for realizar negócios de até R$ 20.000,00 mensais com ações, você está isento de IR. Há corretoras que entendem que o PIBB adquirido diretamente na na bolsa por meio de uma corretora é entendido como se ação fosse. Nesse caso, é totalmente isento de impostos sobre os rendimentos obtidos. Se a movimentação ultrapassar esse valor, você paga 15% sobre os ganhos. Isso torna o PIBB adquirido diretamente mais vantajoso do que os fundos PIBB e o VGBL, porque ambos serão sujeitos ao pagamento de impostos, se este entendimento estiver correto. Não vi nenhum pronunciamento da Receita Federal do Brasil sobre o assunto, mas gostaria de ver.
Se você não pretende fazer nenhuma aquisição de bens de alto valor (um carro ou uma casa, por exemplo) com o dinheiro que irá acumular com o PIBB, esta pode ser a melhor opção, em termos tributários.

Eu imagino que haverá uma forte pressão assim que o sistema financeiro perceber que está perdendo apicações para o PIBB. A minha suspeita é que, se esta interpretação estiver correta e não houver a eliminação desta alternativa, pode acontecer de este valor ser mantido sem correção. Se isso acontecer, um bom cálculo é saber quanto os R$ 20.000,00 valerão em “X” anos. Para isso, coloquei a tabela abaixo com alguns cenários de inflação.

Quanto irá valer R$ 20.000,00 em determinado período de tempo em função da inflação.

O valor da tabela indica o quanto valerá, em poder de compra de hoje, R$ 20.000,00 sacados em “X” anos. Para darmos um exemplo, se formos começar a sacar em 20 anos e a inflação média tiver sido de 5% ao ano nesse período, aquele valor seria o mesmo que sacar hoje R$ 7.914,68.
Bom, acredito ser possível para você, a partir desse artigo, fazer sua escolha com mais conhecimento de causa. Muito provavelmente, o caminho está descrito, mas prefiro que você tome suas próprias decisões.

Este artigo continua com mais alguns comentários sobre tributação nessa postagem.

Boa sorte.

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1 Comentário »

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  1. [...] Estas são as perguntas do Ricardo que se seguiram

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