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VGBL ou PIBB, qual escolher?

Vejam a pergunta do leitor Ricardo:

Oi Beto!

O que é melhor pra aposentadoria (daqui 30 anos): comprar pibb11 mensalmente, ou fazer aportes mensais num VGBL agressivo (49% em ações)?

Uma das minhas dúvidas é como a tributação afetaria os resultados.

Obrigado,

Ricardo

Esta ótima pergunta me estimulou a fazer o artigo. Não vou indicar investimentos, como sempre registro, mas vou destacar as características que considero principais dessas duas formas de investimentos para que você possa tomar a sua própria decisão.

Vamos começar destacando que, como foi muito bem notado pelo Ricardo, a composição do VGBL permite o máximo de 49% da carteira em ações. Isso significa que, se você quiser aplicar um percentual maior, não será uma boa opção

Isso quer dizer o seguinte: O VGBL recebe o dinheiro da sua aplicação e divide em dois (ou mais) fundos. Um deles, para onde irá 49% do valor que você aplicou, será de ações. O restante, será aplicado em fundos de renda fixa ou referenciados DI, por exemplo. Dessa forma, se as ações renderem 15% e os fundos de renda fixa 10%, então, o retorno total será de (0,51 x 10%) + (0,49 x 15%) o que representa um retorno de 12,45%.

Se você quiser se sujeitar a um risco maior e aplicar um percentual superior a 49% em ações, conforme mencionei anteriormente, não será possível com a utilização do VGBL.

Em termos de custos, o VGBL normalmente tem uma taxa de carregamento, de modo que, se for fixa, facilita a sua comparação, mas piora o resultado, porque você não terá a vantagem de pagar menos se investir mais. Da mesma maneira, a taxa de carregamento pode ser cobrada na saída, há algumas empresas que isentam esta taxa na saída se o dinheiro ficar aplicado por um período longo (às vezes 24 meses).

Com relação à taxa de administração, o PIBB cobra mais ou menos 0,059% ao ano (corrigi este dado), o que é algo que você não encontra no Brasil (raramente encontrará no mundo) para valores de aplicação inferiores a R$ 200,00. Por outro lado, as corretoras cobram a taxa de custódia mensal, que é única tanto para aplicações em ações quanto para a manutenção do PIBB. Isso significa que você se depara com um custo adicional que precisa ser levado em consideração.

Vou fazer uma breve simulação de quanto a taxa de custódia pode representar sobre o montante da sua aplicação, de modo que você possa comparar com a taxa de administração cobrada nos planos VGBL.

Taxa de custódia de ações comparada à taxa de administração
O Valor das células dessa tabela indicam a taxa de administração anual equivalente. Calma, este nome é longo, mas significa o seguinte: se a corretora cobrar R$ 10,00 por mês de taxa de custódia, e o saldo da sua aplicação é de R$ 10.000,00 seria o mesmo que investir em um fundo de investimentos ou VGBL que cobrasse uma taxa de administração de 1,2% ao ano. Veja que se o volume da aplicação aumenta, a “taxa de administração equivalente” diminui.

Nesse ponto, vale verificar também o seguinte: é melhor aplicar no PIBB diretamente ou por meio de um fundo de ações PIBB administrado por um banco? Com relação às taxas de administração fica fácil comparar com a tabela que forneci, mas tenha sempre em mente que, a partir de um patamar, a taxa de custódia é melhor do que a de administração, porque a primeira ficará fixa e esta ultima será sempre calculada com base no valor que você tem aplicado. A taxa de administração é uma espécie de sócia do seu investimento.

Há outro aspecto, que é a questão do imposto de renda, que será tratado a seguir.

Uma coisa é certa quando falamos de impostos: nunca teremos a menor idéia de como eles estarão no futuro. Dito isso, o que sei hoje é que, se você for realizar negócios de até R$ 20.000,00 mensais com ações, você está isento de IR. Há corretoras que entendem que o PIBB adquirido diretamente na na bolsa por meio de uma corretora é entendido como se ação fosse. Nesse caso, é totalmente isento de impostos sobre os rendimentos obtidos. Se a movimentação ultrapassar esse valor, você paga 15% sobre os ganhos. Isso torna o PIBB adquirido diretamente mais vantajoso do que os fundos PIBB e o VGBL, porque ambos serão sujeitos ao pagamento de impostos, se este entendimento estiver correto. Não vi nenhum pronunciamento da Receita Federal do Brasil sobre o assunto, mas gostaria de ver.
Se você não pretende fazer nenhuma aquisição de bens de alto valor (um carro ou uma casa, por exemplo) com o dinheiro que irá acumular com o PIBB, esta pode ser a melhor opção, em termos tributários.

Eu imagino que haverá uma forte pressão assim que o sistema financeiro perceber que está perdendo apicações para o PIBB. A minha suspeita é que, se esta interpretação estiver correta e não houver a eliminação desta alternativa, pode acontecer de este valor ser mantido sem correção. Se isso acontecer, um bom cálculo é saber quanto os R$ 20.000,00 valerão em “X” anos. Para isso, coloquei a tabela abaixo com alguns cenários de inflação.

Quanto irá valer R$ 20.000,00 em determinado período de tempo em função da inflação.

O valor da tabela indica o quanto valerá, em poder de compra de hoje, R$ 20.000,00 sacados em “X” anos. Para darmos um exemplo, se formos começar a sacar em 20 anos e a inflação média tiver sido de 5% ao ano nesse período, aquele valor seria o mesmo que sacar hoje R$ 7.914,68.
Bom, acredito ser possível para você, a partir desse artigo, fazer sua escolha com mais conhecimento de causa. Muito provavelmente, o caminho está descrito, mas prefiro que você tome suas próprias decisões.

Este artigo continua com mais alguns comentários sobre tributação nessa postagem.

Boa sorte.

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Categoria(s): Aposentadoria, Artigos, Interação, Previdência Privada, Sem categoria, Tributação, como investir


Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

4 comentários

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  1. gislene disse:

    Oi beto!

    Gostaria que tirasse uma dúvida minha.
    Ano passado fiz um investimento no VGBL,
    valor 6.000 40% renda variavel 60%renda fixa
    gostaria de saber se esse é o momento certo para retirar, pois meu medo e perder mais.
    O que vc me aconselha?

    Grata pela resposta.

    Gislene

  2. Beto Veiga disse:

    Olá, Gislene,
    Este não é o momento (como esta resposta ficará por muito tempó aqui, confira a data para entender o momento) de retirar seu dinheiro. Ainda que você corra o risco de perder um pouco, não faz sentido sair na baixa, a menos que você esteja precisando muito do dinheiro no curto prazo (eventualidade, dívida cara, etc.).
    Tenha paciência e fé! O mundo vai melhorar.
    Aliás, se você tiver um dinheiro sobrando vale pensar em investir um pouco mais em ações, desde que você esteja na situação inversa daquela que ressaltei anteriormente.
    Abraço do Beto

  3. [...] que o bom seria você aplicar em um fundo de ações que acompanhe o índice de mercado. Pode ser o PIBB adquirido direto na Bolsa por meio de uma corretora, ou então um fundo de PIBB, que pode ser [...]

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