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Menos vulnerabilidade externa, diz BC

Sem sombra de dúvidas, o Brasil tem uma vulnerabilidade externa menor do que no passado recente. As grandes reservas internacionais nos dão um pouco mais de segurança, assim como as participações estrangeiras em empresas estabelecidas aqui no Brasil, como se convenciona denominar Investimento Estrangeiro Direto. O denominado Investimento em carteira, que se caracteriza pela aquisição de ações (no Brasil e no exterior) de empresas brasileiras e pela posse de títulos de renda fixa (dívida externa e interna), também cresceu significativamente (quase o dobro, se considerada a desvalorização do dólar, da valorização do índice Bovespa), à exceção da dívida, que representa um percentual menor do que era anteriormente.

Este comentário é resultado de uma leitura atenciosa que fiz do relatório “Evolução dos Indicadores de Sustentabilidade Externa – Atualização”, produzido pelo Focus – BC.

Achei muito interessante o texto. Considero que alguns dados não devem estar disponíveis, como aqueles referentes à situação atual tanto da posição em investimento externo direto, quanto aquele relativo à posição em carteira, mais especificamente, na bolsa, referentes ao ano de 2008. Seria bom se eles tivessem disponíveis para ajudar a mostrar como estão as coisas nesse momento.

Além disso, gostaria de ver alguma simulação levando em conta a alteração no preço das commodities e o impacto nas exportações.

No mais, acho que foi bastante ilustrativa a evidenciação de que estamos trocando pagamento de juros por pagamento de dividendos. Na balança de pagamentos, houve uma redução no pagamento de juros ao exterior (a dívida externa está diminuindo fortemente), mas um aumento na remessa de dividendos. Isso quer dizer o seguinte, como as empresas estão recebendo capital estrangeiro na forma de participação (sociedade), os lucros gerados pertencem também aos sócios estrangeiros e, conseqüentemente, está aumentando a remessa de lucros.

Sem dúvidas, isso demonstra que os investidores estrangeiros estão mais confiantes na nossa capacidade de gerar lucros do que no passado. Esta aposta sinaliza aos investidores locais que deveríamos pensar da mesma maneira e investirmos mais nas empresas e no empreendedorismo brasileiros, além de tratarmos melhor o nosso mercado interno (leia-se: consumidores).

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Categoria(s): Conjuntura


Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

1 comentário

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  1. Silverio disse:

    Mto bem observado meu caro Beto, a falta de valorização do q costumo chamar de “prata da casa” leva a isto, eh bom pros nossos investidores atentarem p capacidade do empresariado local.

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