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Entendendo um pouco o aperto no crédito I

Vou escrever um pouco sobre esse processo que está acontecendo em nível mundial relativamente ao aperto do crédito bancário. Vou dividir o texto para que, não apenas tenha condições de elaborá-lo com mais calma, possa também cobrir mais detalhes do assunto de maneira gradual.

Os bancos, por serem empresas que utilizam, na maior parte, o dinheiro de terceiros para suas realizarem suas operações, estão sujeitos a uma série de regras. A intenção destas regras é a de prevenir que os bancos quebrem e que aqueles terceiros que lá depositaram seu dinheiro fiquem a ver navios.

Vou falar um pouco mais sobre as operações dos bancos, comparativamente à operação das empresas. As empresas em geral apresentam mais recursos próprios (capital) do que de terceiros em seus balanços, isto é, em vez de tomarem emprestado a maioria dos recursos necessários a funcionar, elas têm seus próprios recursos.

Diferentemente dessas empresas, os bancos utilizam o dinheiro dos seus clientes superavitários para “vender” esse mesmo dinheiro para os clientes deficitários (ou seja, aqueles que precisam do dinheiro para consumir ou para realizar investimentos).

O raciocínio lógico é: quanto mais eu puder pedir emprestado dos superavitários para emprestar aos deficitários, mais eu vou ganhar. Certamente! Porém, para evitar que os bancos se exponham demais, inventaram umas regrinhas a serem seguidas. Por que? Quando o banco empresta para os deficitários, ele corre o risco de que o dinheiro não seja pago de volta (só para mencionar um dos riscos), ou que seja pago a menor. Nesse caso, o que é necessário é que o banco utilize seus próprios recursos para pagar aos superavitários.

No próximo falarei sobre a operação bancária básica.

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Categoria(s): Conjuntura, Crédito, Regulação


Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

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