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FGC: Dinheiro público não tem dono

Calma, eu sei que o Fundo Garantidor de Créditos, de certo modo, não tem dinheiro público, mas vamos prosseguir…

Quando eu digo a que a regulação bancária no mundo é uma piada, vem todos os “entendidinhos” falar: “veja bem, não é bem assim…”

É bem assim, sim! Vamos aos fatos: de onde vem e para onde vai a direção dos órgãos reguladores? Do e para o próprio mercado. Quando é que eles impõem regras para impedir que os caras do mercado façam bobagem? Só quando os chefes deles deixam. Quando as regras que eles impuseram fizeram como que o sistema funcionasse sem dar problema? Nunca.

Pois bem, poderia encher de perguntinhas e respostinhas, mas o que eu tenho a dizer nessa postagem é o seguinte: a nossa graninha, aqui dos brasileirinhos que fazem as coisinhas certinhas e não faturam com a graninha dos outros, pouco se lixando se onde esta graninha está ou não correndo risco, enfim, a nossa graninha está em risco.
Sabe onde? No Fundo Garantidor de Créditos.


Este fundo
composto por recursos que os bancos colocam como se fosse um prêmio de seguro, destina-se a pagar aos depositantes das instituições que venham a quebrar.

O FGC sofreu uma redução no provimento de recursos em 2006, como eu prontamente divulguei. Reduziu-se o provimento de recursos e aumentou-se a proteção dos depositantes, coisa que deve ser resultado de alguma mente brilhante e crente em alquimia.

Naquele momento, em que os bancos ainda apresentavam resultados maravilhosos, não fazia sentido algum reduzir o valor do prêmio (o desconto foi de 50%!).

Para agravar a situação, estão “drenando” o fundo com a finalidade de aumentar a quantidade de empréstimos destinados a cumprir as determinações presidenciais de “vamos gastar”.

Além disso, precisa ser dito que se um banco grande quebrar, o fundo vai para o fundo, porque não vai dar para pagar nem o começo da conta. O patrimônio do fundo está em míseros 18 bilhões, muito abaixo que o necessário para socorrer uma grande instituição.

Aliás, eu nem sei por que estou me preocupando com isso. Se der bronca será o nosso dinheiro que vai ser utilizado para resolver mesmo.

É Beto, não estressa e deixa para lá.

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Categoria(s): Regulação


Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

2 comentários

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  1. [...] sob o programa Temporary Liquidity Guarantee, do Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), o FGC deles, garantia ilimitada, assim como os CDB emitidos após uma determinada data, garantia [...]

  2. [...] coisa que é certa é que o FGC não tem gás para pagar muitas operações dessas de bancos que derem errado. Nesse caso, fica a [...]

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