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A regulação como forma de atrair investidores

Estava lendo uma matéria do NYT sobre as novas regras que serão aplicadas para regular o mercado financeiro norte-americano (certamente, será “copiado” pelo resto do mundo).

Comecei a ler o texto e a perceber uma coisa muito curiosa. Aliás, trata-se de algo que eu já venho pensando há muito tempo: a necessidade de “regulação” para o restabelecimento (ou estabelecimento) da confiança das pessoas no mercado em questão.

Este é um primeiro texto que pretendo ir discutindo com quem tiver interesse, de modo a construir melhor minha tese.

O termo regulação que utilizo aqui, principalmente aquele que coloquei entre aspas, destina-se a designar a atuação do Estado no sentido de implementar regras visando a manutenção da estabilidade das empresas sujeitas às normas. As aspas têm a intenção de denotar a minha descrença nessa atitude, principalmente porque são, conforme entendo, parâmetros estipulados pelos próprios participantes do setor.

Feitas estas explicações prévias, minha conclusão é a de que a idéia de se fortalecer a regulação, ou outras expressões semelhantes, tem o objetivo de passar a sensação aos investidores de que aquele mercado está mais sólido do que antes, trazendo de volta os aplicadores mais ariscos.

Lembro-me de uma passagem do livro “O Tao de Warren Buffett”, na qual é afirmado que o guru não entende o comportamento de milionários que vão, de limousines, pedir orientações em Wall Street a analistas que andam de metrô.

A resposta à dúvida de Buffett é simples: muitos milionários não entendem de finanças, assim como inúmeros outros seres normais.

Quer um exemplo: o tombo que o Bernard L. Madoff aplicou no mercado americano não poupou esse segmento do topo da pirâmide.

E aí vai um sinal para ajudar a tese: como os grandes foram afetados pela fraude, que se deu na forma de um instrumento denominado hedge fund (fundo de hedge), este mercado começou a ser olhado com desconfiança. “Será que o hedge fund no qual invisto meus pomposos honorários não é um esquema idêntico ao do Madoff?” Pensam os abastados.

Para passar a sensação de que esta dúvida não deve existir, numa evidente proteção às empresas que atuam nesse mercado, o governo provê uma “regulação”.

As regras passam a sensação, mesmo aos ricos, que a coisa está sob controle. O temor é amenizado e aí, vamos ganhar dinheiro.

Não estou dizendo, em trecho nenhum desse texto que isso seja bom ou seja ruim para o mundo. Procurem e perceberão. O que estou dizendo é o que eu imagino que aconteça. Os efeitos dessa tranquilidade na economia podem ser altamente benéficos. Da mesma forma, podem ser os efeitos psicológicos nas pessoas, submersas em um mundo de insegurança, turbulências e incertezas.

Por enquanto é isso.

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Categoria(s): Regulação


Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

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