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O que está causando a queda nas bolsas?

Cheguei a fazer uma sequência de postagens sobre as explicações para as altas e para as quedas nas bolsas. Ao final do dia, acessava as páginas de alguns periódicos e reproduzia a “justificativa” para o acontecido.

A verdade é que, mesmo dando um bom motivo para o movimento verificado no dia recém acabado, era totalmente incerta a sua aplicação aos números do dia seguinte. Não há, na maioria das vezes, um elemento que ligue um dia ao outro, se formos seguir o que dizem os analistas.

Todavia, há certo tipo de análise (que vou mostrar mais abaixo) que me agrada um pouco mais, que é aquela que sai do piso e olha a coisa pelo teto, isto é, de cima.

Embora este procedimento não nos garanta coisa alguma no que se refere aos movimentos de curto prazo, uma vez que a simples existência de liquidez é capaz de alterar os preços das ações até determinado ponto, para o longo prazo ele é sim, aplicável.

Coletei, para nossa discussão, uma série de observações, todas com relação ao mercado dos EUA, com as quais concordo, e vou listá-las aqui.

    O dólar tem perdido valor;
    O retorno que as empresas têm obtido é atribuído, de forma primordial, à redução de custos (isso não se mantém de maneira indefinida no tempo);
    De 10 setores da economia dos EUA apenas o setor financeiro apresentou aumento de receita;
    O setor exportador é quem está apresentando ganhos, em função da desvalorização da moeda local;
    O custo do crédito está baixo, comparado com o que deveria ser para compensar os riscos atuais, em razão da intervenção do FED no sentido de prover recursos ao mercado privado;
    O grupo de analistas econômicos do Wells Fargo afirma que a influência política sobre a economia irá durar mais que o necessário, tendo em conta que os grupos de interesse atuarão no sentido de manter os consumidores comprando;
    O aumento das taxas de juros na Austrália, embora não levem a comportamento semelhante nos EUA, enfraquecem ainda mais o poder de compra do dólar, encarecendo, para os americanos, os produtos estrangeiros;

Com esse quadro, é possível ter uma visão para um prazo mais longo dos nossos investimentos.

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Categoria(s): Ações, Bolsa, Conjuntura


Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

1 comentário

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  1. [...] alterar os preços das ações até determinado ponto, para o longo prazo ele é sim, aplicável. continue a ler o artigo no Blog do Beto Veiga: lá ele enumera diversas razões pelas quais a bolsa de valores pode estar [...]

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