Assine via RSS Feed

Merecimento, consumismo e dificuldade financeira

Se você está com as contas em dia, gasta menos do que ganha, e possuiu uma boa reserva financeira, essa postagem tem tudo a ver com você, porque tende a mostrar como se deve comportar para chegar à sua situação. Caso não seja este o seu caso, mais um motivo para continuar lendo e avaliar a possibilidade de passar para o outro mundo que você sempre imaginou impossível. O primeiro passo é evitar um dos mais velhos apelos do mundo do consumo: “você merece!”

Se pararmos um pouquinho para pensar sobre o que nos move para o trabalho e para a vida, inclusive a vida em comum, constituindo família, não imagino que seja uma atitude nobre pensar que a recompensa final é a possibilidade de comprar coisas, fazer viagens ou práticas do gênero.

flor

Seria isso o que realmente deveria nos motivar, se é que está motivando? Creio que não, mas às vezes não refletimos o suficiente. Nesse sentido, o mundo do consumo se apressa em preencher este vazio vivencial.

Olhando à nossa volta, vemos uma infinidade de itens à disposição, do R$ 0,05 da balinha às centenas de milhões de dólares que um jato particular chega a custar. Tudo aí, prontinho para justificar a sua existência (sem contar que os novos milionários estão indo fazer turismo na Lua). Na realidade, justificar a existência do seu trabalho, do seu esforço pessoal.

Nesse momento, em que o consumo está à flor da pele, e que você olha para o ano que passou, imaginando todo o trabalho que teve, o que realizou em termos profissionais, enfim, quando avalia o que obteve em termos de aumento de remuneração, começa a imaginar: para que serviu tudo isso? Cuidado! Este é a senha para que uma forma de “recompensa” milagrosa se aproveite para instaurar-se em sua vida.

Volto a dizer que, tanto para os abastados quanto para os endividados, esse é o caminho “sem futuro”. Pensar que a possibilidade de adquirir coisas tornará você mais feliz pode ser um grande equívoco. Muitas vezes, esta “carícia material” está ocultando outros problemas para os quais não repousamos nossa atenção. Outras vezes, sabemos o que nos aflige, mas preferimos agir como avestruz e, daí, vamos às compras. Este é o momento do pleno sentimento de poder. Mesmo sem dinheiro, mas munido de um cartão de crédito ou de um cheque especial, as portas se abrem para você. Vendedores solícitos surgem por toda a parte e você até arrisca uma breve confissão, mas o que o ouvinte quer mesmo é escutar o tilintar da máquina registradora, e o barulhinho da impressora da maquina do cartão.

Se este texto destina-se a alguma coisa é, finalmente, procurar ajudar você a refletir, nem que seja pelos poucos segundos que parou à sua frente, na razão de tanto trabalho, de tanto empenho, de tanta dedicação que foi demandada de você no ano que está acabando.

Mantenha-se informado. Receba as postagens grátis!:Clique aqui e assine.

Tags: , ,

Categoria(s): Comportamento financeiro, Consumo


Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

3 comentários

Trackback URL | RSS Feed dos comentários

  1. Moisés disse:

    A verdade é clara: venderores vivem de vender e são treinados (em alguns casos, muuuito bem treinados) para atingir a EMOÇÃO dos consumidores. Em várias situações, ela fala beeeem mais alto que a Razão.

  2. PARABÉNS, o artigo é muuito bom, estou orientando uma aluna sobre EDUCAÇÃO FINANCEIRA e foi muito util.

  3. Beto Veiga disse:

    Olá,, Professora Cacilda,
    Muito obrigado pelo gentil comentário.
    Abraço do Beto

Deixe um comentário




Se você quiser uma imagem no seu comentário, cadastre-se no Gravatar.