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Como será o amanhã no crédito?

Vi duas notícias sobre crédito publicadas no Blog do Romildo cuja fonte é a Folha de São Paulo. Ambas tratando do endividamento do brasileiro e dos efeitos econômicos desse endividamento.

O primeiro ponto certeiro das entrevistas ficou por conta dessa conclusão da matéria de que “esse descompasso em relação à capacidade de pagamento deve levar a um aumento na inadimplência em 2010. Depois de bater o recorde na metade do ano, o volume de empréstimos em atraso teve um pequeno recuo nos últimos meses.”

Citando como fonte o economista Luiz Rabi, da Serasa Experian, que declarou: “Esse movimento de queda da inadimplência vai se interromper em breve, devido à piora que estamos vendo na qualidade do crédito e à disparidade entre o endividamento e a renda das pessoas”

Há um bom tempo, já realizei um levantamento que dizia a mesma coisa, portanto, somos totalmente alinhados nesse pensamento. Se não houver um crescimento muito forte da economia, não há como não verificar aumento na inadimplência.

Por outro lado, o que me faz pensar que existe um certo desconhecimento sobre o assunto é o fato de que algumas pessoas ainda pensam que termos dividas que comprometem um percentual pequeno da renda é suficiente para demonstrar que nosso endividamento é sadio.

A matéria assinada pelo jornalista Eduardo Cucolo, afirma que “para o economista Altamiro Carvalho, da Fecomercio SP, a cautela por parte do próprio consumidor e as regras rígidas do sistema bancário fazem o mercado brasileiro de crédito ainda apresentar um perfil bastante saudável.” Assim, como as estimativas, mencionadas no texto, são de que os brasileiros comprometam entre um terço e 40% da sua renda com o pagamento de prestações, estaria tudo bem. Embora para Carvalho “O nosso nível de endividamento ainda é muito baixo. Estamos muito mais para Japão do que para EUA”, falta uma peça fundamental na conta que é a taxa de juros. Sem esta componente, não como afirmar nada sobre saúde ou não. Se a taxa de juros é alta, não importa que o percentual de comprometimento da renda seja baixo, o empréstimo causará considerável dano ao patrimônio do tomador.

A outra matéria, de Toni Sciarreta, por sua vez, chama a atenção exatamente para o ponto crucial do endividamento: redução da capacidade de consumo. É isso o que acontece quando tiramos de 33 a 40% da renda do trabalhador para pagar prestações a uma taxa mirabolante, como a praticada no Brasil.

Não tenho muita certeza de que fomentar o consumo imediato e deixar o problema para depois seja uma prática honesta, embora seja lícita.

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Categoria(s): Consumo, Crédito


Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

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