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Concentração de mercado e o trust: e pode?

Muito bem, concentrar cervejarias é o que interessa, certo? Errado. Estão concentrando tudo. Sabe o por quê? Dá mais lucro.

A concorrência perfeita é o pior arranjo possível para uma empresa, quando esta é a fornecedora. Isso acontece porque na concorrência perfeita o lucro é zero. Isso mesmo, o preço cai tanto que o negócio apenas remunera o capital investido à taxa de juros do mercado.

Pensando assim, as pessoas tiveram uma grande ideia: vamos continuar cada um com sua empresa e vamos acertar o preço para que os clientes não possam pechinchar. Esse tipo de acordo levou o nome de cartel.

O coitado do cartel, todavia, não é muito eficiente, porque dá uma tentação danada de fazer um acerto com os “amigos” e praticar o preço um pouquinho mais baixo para o consumidor. Quando um dissidente faz esta trapaça ele consegue o mercado de todos os “amigos” numa espécie de traição empresarial.

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Eis que um dia apareceu a ideia do século: vamos criar uma trust. A trust é uma empresa inócua que existe apenas para congregar as ações de todas as outras e dividir os lucros. Assim, se algum “espertinho” resolver baixar os preços e levar todos os consumidores dos amigos, não tem problema, porque o lucro será dividido com a patota.

Como é que se faz a truste? Cada um coloca as suas ações das empresas originais e fica com uma participação na nova empresa equivalente ao valor do seu empreendimento original.

Ora, mas isso é nefasto para economia e deveria ser banido, você deve estar pensando. Sim, eu respondo, você tem razão, mas vá dizer isso aos órgãos reguladores.

Se você prestar atenção, todas as fusões que ocorreram recentemente, sejam de bancos, de empresas de comércio varejista, de cervejarias, enfim, tudo aconteceu nessa forma de troca de ações.

Aí surge o termo da moda: sinergia. Sinergia, quando você vir por aí, no jargão da turma do trust, significa o pedaço de estrutura duplicada que será extraído da nova empresa. Por exemplo: para que duas áreas financeiras? Por que duas áreas de marketing?

Finalmente, dado que os órgãos reguladores não estão dando muita bola para o assunto, para que brigar se dá para ser todo mundo amigo? O consumidor que vá chorar noutra freguesia.

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Categoria(s): Regulação


Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

4 comentários

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  1. Janaina disse:

    Tá um absurdo isso. E o Abílio Diniz, achando que não foi suficiente a fusão com Casas Bahia, parece já estar de olho na Insinuante. Seguuuuuura!

  2. Beto Veiga disse:

    Olá, Janaina,
    A culpa disso não é do Abilio Diniz, mas da população que só quer saber de fofoca e mexericos e não vai exigir que o governo tome providências com relação ao CADE. Essas operações deveriam ser proibidas, mas enquanto isso, o pessoal está só na TV.
    É dificil realmente culpar um povo com baixa educação, mas o problema é que o nível de pessoas com ensino superior está aumentando e não se vê muitas mudanças com relação ao comportamento cidadão.
    Abraço do Beto

  3. Ana Thais da Silva disse:

    gostaria de 2 exemplos de truste no brasil? Porque chegaram nesta conclusão? O que o consumidor ganha com isso? quais os beneficios para o mercado? e por último 2 exmplos trustes vertical e truste horizontal?

    Obrigada,
    Aguardo resposta.

  4. Pedro disse:

    Podia-me dar uma simples definição de concentração trust, cartel, molding, gupo económico?!

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