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Fundo de investimentos e as despesas

Um problema de fundo de investimentos é que a taxa de administração não é a única a ser debitada da sua conta.

Alguns custos invisíveis dos fundos, que não aparecem na taxa de administração, afetam também sua rentabilidade, uma vez que diminuem o valor do patrimônio líquido, sobrando menos dinheiro para investir em ativos financeiros, o que acaba por gerar menor resultado.

Conforme o artigo 99 da Instrução CVM 409, de 18 de agosto de 2004, consolidada após alterações provenientes de outras instruções posteriores, estas são as despesas:

Art. 99 – Constituem encargos do fundo as seguintes despesas, que lhe podem ser debitadas diretamente:

  • I. taxas, impostos ou contribuições federais, estaduais, municipais ou autárquicas, que recaiam ou venham a recair sobre os bens, direitos e obrigações do fundo;
  • II. despesas com o registro de documentos em cartório, impressão, expedição e publicação de relatórios e informações periódicas previstas nesta Instrução;
  • III. despesas com correspondência de interesse do fundo, inclusive comunicações aos cotistas;
  • IV. honorários e despesas do auditor independente;
  • V. emolumentos e comissões pagas por operações do fundo;
  • VI. honorários de advogado, custas e despesas processuais correlatas, incorridas em razão de defesa dos interesses do fundo, em juízo ou fora dele, inclusive o valor da condenação imputada ao fundo, se for o caso;
  • VII. parcela de prejuízos não coberta por apólices de seguro e não decorrente diretamente de culpa ou dolo dos prestadores dos serviços de administração no exercício de suas respectivas funções;
  • VIII. despesas relacionadas, direta ou indiretamente, ao exercício de direito de voto do fundo pelo administrador ou por seus representantes legalmente constituídos, em assembléias gerais das companhias nas quais o fundo detenha participação;
  • IX. despesas com custódia e liquidação de operações com títulos e valores mobiliários, ativos financeiros e modalidades operacionais;
  • X. despesas com fechamento de câmbio, vinculadas às suas operações ou com certificados ou recibos de depósito de valores mobiliários;
  • XI. no caso de fundo fechado, a contribuição anual devida às bolsas de valores ou às entidades do mercado de balcão organizado em que o fundo tenha suas cotas admitidas à negociação; e
  • XII. as taxas de administração e de performance, conforme previsto no art.61;

Como você pode ver, um auditor independente (inciso IV) que cobre caro, por exemplo, pode ser desfavorável para o seu patrimônio. Da mesma forma, se o administrador ficar fazendo muitas operações de compra e vendas de títulos, irá gerar receitas para os intermediários (inciso IX), e custos para você.

Dessa forma, seria aconselhável uma visita à demonstração financeira do seu fundo de investimentos para verificar o quanto do seu rico dinheirinho está indo pelo ralo, principalmente nessa época de vacas magras para o lado das taxas de juros.

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Categoria(s): Fundos, Investimentos


Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

4 comentários

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  1. Parabéns pelo post.

    Vou colocar um link no meu blog ainda hoje.

    Um abraço

    Jesus

  2. Beto Veiga disse:

    Olá, Jesus,
    Muito obrigado, e um grande abraço para você do Beto

  3. Éverton disse:

    Olá Beto,

    A minha esposa quer fazer uma previdência,
    para um prazo de acumulação de 17 anos e
    com aportes de aproximadamente R$ 200 por mês.

    Pelo que conheço do perfil dela, alternativas
    como comprar diretamente quotas de PIBB11 está
    fora de cogitação, por vários motivos: o
    trabalho de acumulação de uma boa quantia
    em alguma outra aplicação (estimo pelo menos
    uns 5 meses para juntar R$ 1000) e posterior
    trabalho de movimentação para uma corretora
    com taxa aceitável.

    Também não quero sugerir PGBL/VGBL porque a
    exposição a renda variável seria muito limitada,
    para o longo prazo, na minha opinião.

    Idealmente, acho que eu gostaria de encontrar
    um fundo que investisse exclusivamente em
    PIBB11, a uma taxa de administração aceitável
    (digamos, 1% no máximo), e com taxa de carregamento aceitável, e com aportes
    mensais tão baixos quanto R$ 200. Fácil,
    não? :-)

    Lembrei que os afortunados de “lá de fora” podem
    contar com o Morning Star para comparar as
    diversas alternativas de fundos:

    http://screen.morningstar.com/FundSelector.html

    Será que você por acaso não conhece algum
    serviço parecido para comparar os fundos abertos aqui no Brasil?

    Muito obrigado e um abraço,
    Éverton

  4. Beto Veiga disse:

    Olá, Éverton,
    Na postagem sobre fundos há um link para uma espécie de comparador. Não tão bom quanto o do Morningstar. Creio que existe serviço nesse sentido, mas é pago.
    Há fundo PIBB com taxa de 1,5% aa. Creio que a Caixa (R$100 mínimo) tem um e o BB também. Os bancos (inclusive os privados) que oferecem estes fundos têm uma espécie de “compromisso” como o BNDES, de oferecer o PIBB com taxas de administração mais baixas.
    Abraço do Beto

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