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Você faz, eu pago

Continuando a história de ontem sobre os problemas que o vencimento de títulos classificados junk bonds irão acarretar em 2012, vale lembrar um pouco qual a origem do problema.

O que aconteceu foi o seguinte: em 2007, quando o dinheiro estava jorrando feito água, alguns fundos de investimento em capital de empresas (denominados no exterior de Private Equity e no Brasil de Fundos de Participações), adquiriram empresas, tomaram empréstimos por meio delas e, na expectativa que os negócios prosperassem, tinham interesse em colocá-las para vender no mercado de ações, ganhando com a valorização espetacular das empresas.

Como o dinheiro era fácil, pouca gente se preocupava com a perguntinha básica: essa empresa vai realmente conseguir me pagar de volta? De fato, como o dinheiro grande parte das vezes não é de quem toma esta decisão, mas de quem administra o tutu dos outros, é fácil fazer caridade com o chapéu alheio. Aliás, papéis junk prometem pagar taxas elevadas (receber é que são elas), e esses administradores “contabilizam” como lucro o ovo ainda na galinha, prática que lhes garante um excelente peru no Natal.

Portanto, vamos deixando isso para lá que a conta, de qualquer maneira, é nossa.

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Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

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