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A Mecânica dos juros

O Marcelo fez um comentário interessantíssimo sobre a estrutura a termo das taxas de juros – ETTJ, analisando a maior tranquilidade que os investidores derivam da escolha por papéis com correção pela inflação. Vamos dar uma lida no comentário:

A ETTJ da LTN tem um comportamento normal, conforme sua postagem anterior. Quanto às NTN-B’s, o formato da curva sugere uma perspectiva otimista para o longo prazo. Mas qual razão da discrepância de comportamento dos gráficos da LTN e das NTN-B’s? Parece-me que os investidores só se mostram realmente otimistas se lhes forem garantidos ganhos acima da inflação (NTN-B). Se o meu raciocínio de amador estiver correto, então, caro Beto, isso significa que os credores tem um certo receio, no longo prazo, de uma subida da inflação?

O comportamento normal da LTN, a meu ver, se deve mais à questão do prazo dos papéis, isto é, não há títulos com prazo muito longo como é o caso da NTN-B. A referência a comportamento normal diz respeito aos juros dos papéis mais curtos serem menores do que os dos mais longos. Em tempo, o Tesouro não é louco de lançar papéis longos pré (saiba O que é pré e pós), caso contrário, se comprometeria com taxas altas de juros, supondo que, no futuro elas serão mais baixas. Por isso, a opção da NTN (atrelar juros mais inflação).

Assim, fica difícil dizer que a LTN seria “normal’ e a NTN anormal. Na realidade, se houvesse uma LTN de 20 anos, provavelmente o comportamento da curva de juros também fosse “anormal”.

Na parte final da observação, afirma-se que os investidores só se mostram otimistas se for garantido retorno acima da inflação. Veja que até todos nós, intuitivamente, preferimos isso. Pergunto: é melhor ganhar uma taxa fixa por 20 anos, correndo o risco da inflação subir e seu ganho real ir para o “beleléu”, ou atrelar o rendimento à inflação, garantindo uma taxa de juros reais (acima da inflação – veja mais em O que são juros reais) fixa, ainda que esta taxa real possa se alterar no mercado com o tempo?

A taxa real é um pouco menos suscetível a variações do que a taxa estritamente nominal de uma LTN.

Finalmente, sempre há o receio do que irá acontecer com a inflação.

Resumindo, a análise de “amador” do Marcelo, no que se refere a estes últimos pontos está excelente, motivo pelo qual me coube apenas adicionar alguns comentários pretensamente educativos.

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Categoria(s): Investimentos, Tesouro Direto


Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

3 comentários

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  1. Ótimo post, parabéns!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  2. Beto Veiga disse:

    Olá, Guilherme,
    Muito obrigado (agora eu sei o nome do Hotmar ;) )
    Abraço do Beto

  3. Éverton disse:

    Beto,

    Por que o Brasil precisa de juros tão altos
    para “segurar” a inflação? De onde vem essa
    nossa vontade toda de inflacionar os preços?

    Grato,
    Éverton

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