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Mudando tudo

Não há como saborear um iogurte, ou um requeijão como antigamente. Depois da série de redução na quantidade dos produtos, o que vemos hoje é uma mudança no seu conteúdo.

Eu sabia que a vaca come grama, mas que o leite tivesse gordura vegetal é novidade para mim. E não é que o “requeijão” do real agora tem esse tipo de gordura?! O soro do leite, que apesar de nutritivo é dado aos porcos pelo baixíssimo valor comercial. Até que um dia os japoneses colocaram alguma coisa azedinha dentro dele, mandaram ver no açúcar, e passaram a vender como uma bebida para repor nossos “lactobacilos”.

É, nós que já vimos o papel higiênico sair de 40 metros por rolo para chegar aos 30 (25% a menos), sem queda proporcional dos preços, testemunhamos a volta para 60 metros sob a justificativa ecológica.

Quanto ao soro do leite, estamos vendo este que valia menos do que água, indo parar dentro dos “iogurtes”, que viraram “bebida láctea”. A embalagem continua a mesma que é para parecer tudo igual. É a versão látea do “bota água no feijão”.

Já ouvi falar que nem o creme de leite escapou. Não sei o que colocaram dentro dele, mas parece que nem a “moça” continua mais na mesma situação…

Enfim, depois de tudo isso, só faltava o salmão bombado. Eu sei que o percentual da população brasileira que come salmão é pequeno, mas, uma notícia do New York Times revela que a agência de vigilância sanitária dos Estados Unidos está tentada a autorizar a comercialização de um salmão turbo, com o dobro do tamanho do original, tal qual alguns frangos que a quase totalidade da população leva ao estômago regularmente.

Falar de alimentos geneticamente modificados, em breve, deixará de ser a exceção. Estamos nos tornando cobaias de uma experimentação alimentar.

Realmente, está na hora de dizer, com relação à alimentação: “bons tempos aqueles”.

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Categoria(s): Consumo


Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

2 comentários

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  1. Rosana disse:

    Gostei muito do artigo!
    Infelizmente, para obter mais lucro as embalagens se tornaram menores, muito menores, como é o caso das bolachas recheadas. Onde estão as embalagens de 200 gramas de antes? E as caixas de chocolate de 500 gramas?
    Bons tempos aqueles…

  2. Beto Veiga disse:

    Olá, Rosana,
    É isso mesmo. Elas já se foram e podem até voltar com novos preços.
    Abraço do Beto

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