﻿{"id":2232,"date":"2011-03-28T08:33:25","date_gmt":"2011-03-28T11:33:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.betoveiga.com\/log\/?p=2232"},"modified":"2011-03-28T08:58:14","modified_gmt":"2011-03-28T11:58:14","slug":"possivel-crise-imobiliaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.betoveiga.com\/log\/index.php\/2011\/03\/possivel-crise-imobiliaria\/","title":{"rendered":"Alguns pensamentos sobre uma poss\u00edvel crise imobili\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>Para quem n\u00e3o se lembra, nos anos 80 n\u00f3s vivemos uma crise imobili\u00e1ria, assim como logo ap\u00f3s a implementa\u00e7\u00e3o do Plano Real, o mercado tamb\u00e9m estava muito ruim para os im\u00f3veis. Juros altos e pre\u00e7os estagnados levaram muitos brasileiros a pararem de pagar seus financiamentos hipotec\u00e1rios. Mas, e agora? Como est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Infelizmente, para a tristeza do leitor, n\u00e3o h\u00e1 muita certeza ainda de como andam os ventos na ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o residencial e comercial, tampouco de como se comportar\u00e1 o pre\u00e7o dos im\u00f3veis. De qualquer forma, uma interessante mat\u00e9ria sobre o assunto foi publicada pela <em>Wharton<\/em> e eu vou discutir alguns pontos espec\u00edficos.<\/p>\n<blockquote><p>\n\u201cO Brasil vive atualmente um <em>boom<\/em> imobili\u00e1rio sem precedentes, e embora o sistema financeiro local pare\u00e7a operar em condi\u00e7\u00f5es sadias e est\u00e1veis, a preocupa\u00e7\u00e3o dos analistas internacionais \u00e9 cada vez maior devido \u00e0s semelhan\u00e7as com o cen\u00e1rio que deflagrou a crise do <em>subprime<\/em> nos EUA em 2008.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Que estamos vivendo um <em>boom<\/em> imobili\u00e1rio at\u00e9 a velhinha de Taubat\u00e9 tem conhecimento. Principalmente em grandes cidades. Isso acontece porque a capta\u00e7\u00e3o de recursos para a oferta de im\u00f3veis acaba concentrando os investimentos nestes locais. A quest\u00e3o da semelhan\u00e7a com o <em>subprime<\/em> decorre da \u201cinvas\u00e3o\u201d dos vendedores para as camadas de menor poder de compra da popula\u00e7\u00e3o. A mesma camada que j\u00e1 est\u00e1 com o cr\u00e9dito at\u00e9 o pesco\u00e7o.<\/p>\n<p>Que faltam im\u00f3veis para a popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 quem queria questionar, o ponto \u00e9: tamb\u00e9m falta dinheiro para esta popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem im\u00f3veis. Em uma conversa com um corretor de uma grande imobili\u00e1ria da cidade, me foi dito que os processos de empr\u00e9stimo, que foram \u201cterceirizados\u201d no sistema de correspondente, est\u00e3o sendo feito de modo meio displicente, mesmo porque os corretores envolvidos n\u00e3o t\u00eam um treinamento eficiente na \u00e1rea de concess\u00e3o de cr\u00e9dito. Isto sim pode causar dano \u00e0 integridade do sistema, principalmente se o n\u00edvel de endividamento comprometer os tomadores de cr\u00e9dito no setor privado, isto \u00e9, nos bancos comerciais e nas financeiras.<\/p>\n<p>Os esquemas de securitiza\u00e7\u00e3o de receb\u00edveis tamb\u00e9m est\u00e3o crescendo (vide <a href=\"http:\/\/www.betoveiga.com\/log\/index.php\/2011\/02\/o-que-e-cri-certificado-de-recebiveis-imobiliarios\/\" target=\"_blank\"><em>O que \u00e9 CRI<\/em><\/a>), mas inda n\u00e3o chegamos no mundo do imagin\u00e1rio, com a utiliza\u00e7\u00e3o de derivativos de cr\u00e9dito. Creio que est\u00e1 bem longe disso.<\/p>\n<p>Segundo a mat\u00e9ria, \u201cUm dos primeiros a dar o sinal de alarme foi Paul Marshall, diretor de informa\u00e7\u00f5es da Marshall Wace, fundo de <em>hedge<\/em> de Londres e um dos mais importantes da Europa.\u201d O diretor chamou a aten\u00e7\u00e3o para o elevado custo financeiro (que novidade&#8230;) da d\u00edvida dos brasileiros no <em>Financial Times<\/em>, afirmando &#8220;que [os brasileiros] pagam taxas de juros reais entre 20% e 25% pelo cr\u00e9dito imobili\u00e1rio&#8221;. E a\u00ed ele realmente tem um ponto. O custo do cr\u00e9dito imobili\u00e1rio, em que pese o fato de ser mais barato do que outras op\u00e7\u00f5es de empr\u00e9stimo, pelo fato de ser mais longo e aplicar-se a um montante elevado, tende a capturar boa parte da renda do comprador de im\u00f3veis de baixo poder aquisitivo. Devemos nos lembrar que 5% \u00e9 uma taxa alta, calculado sobre R$ 500,00 representa R$ 25,00. J\u00e1 0,5% aplicado sobre R$ 100.000,00 custa R$ 500,00, isto \u00e9, 20 vezes mais. Isso fora a amortiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Conforme o texto, a parcela da renda dos mutu\u00e1rios comprometida com o pagamento de presta\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias saiu de 25% para 40% no per\u00edodo de 4 anos (de 2006 a 2010). Pode ter certeza e que \u00e9 muito. Ainda que o sistema de amortiza\u00e7\u00e3o seja desenhado para uma curva descendente das presta\u00e7\u00f5es, este percentual afeta muito fortemente a possibilidade de pagamento dos devedores, principalmente se a renda deles for baixa.<\/p>\n<p>Lembre-se que, como h\u00e1 uma s\u00e9rie de pessoas envolvidas na \u201ccadeia de produ\u00e7\u00e3o\u201d destes empr\u00e9stimos, e cada um ganha a sua parcela, h\u00e1 incentivos suficientes para for\u00e7ar a venda dos im\u00f3veis. Todos t\u00eam interesse em tirar o seu peda\u00e7o, em especial aqueles que n\u00e3o ir\u00e3o se deparar com o risco de cr\u00e9dito mais \u00e0 frente.<\/p>\n<p>Amanh\u00e3 a gente continua.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para quem n\u00e3o se lembra, nos anos 80 n\u00f3s vivemos uma crise imobili\u00e1ria, assim como logo ap\u00f3s a implementa\u00e7\u00e3o do Plano Real, o mercado tamb\u00e9m estava muito ruim para os im\u00f3veis. Juros altos e pre\u00e7os estagnados levaram muitos brasileiros a pararem de pagar seus financiamentos hipotec\u00e1rios. Mas, e agora? 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