﻿{"id":3264,"date":"2014-11-05T09:19:12","date_gmt":"2014-11-05T12:19:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.betoveiga.com\/log\/?p=3264"},"modified":"2016-01-27T17:27:34","modified_gmt":"2016-01-27T20:27:34","slug":"dano-moral-presumido-na-area-bancaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.betoveiga.com\/log\/index.php\/2014\/11\/dano-moral-presumido-na-area-bancaria\/","title":{"rendered":"Dano moral presumido na \u00e1rea banc\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>O dano moral \u00e9 uma das modalidades de consequ\u00eancias dos atos il\u00edcitos. Este termo (ato il\u00edcito) \u00e9 curioso, porque parece que algu\u00e9m que o praticou \u00e9 um malfeitor. N\u00e3o \u00e9 esse o caso. O C\u00f3digo Civil traz um t\u00edtulo especial para tratar dos atos il\u00edcitos, e os define muito bem, de modo que \u00e9 bom reproduzir o que nos ensina esta Lei:<\/p>\n<blockquote><p>Dos Atos Il\u00edcitos<\/p>\n<p>Art. 186. Aquele que, por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o volunt\u00e1ria, neglig\u00eancia ou imprud\u00eancia, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato il\u00edcito.<\/p>\n<p>Art. 187. Tamb\u00e9m comete ato il\u00edcito o titular de um direito que, ao exerc\u00ea-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econ\u00f4mico ou social, pela boa-f\u00e9 ou pelos bons costumes.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ora, ent\u00e3o se eu amasso o carro do vizinho, cometi um ato il\u00edcito. Isso gera o dever de reparar. Note que o texto ressalta que o dano pode ser &#8220;exclusivamente moral&#8221;.<\/p>\n<p>A responsabilidade civil \u00e9 aquela que atribui a um cidad\u00e3o a necessidade de reparar pelos danos causados e o artigo 927 do C\u00f3digo Civil nos diz que &#8220;aquele que, por ato il\u00edcito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repar\u00e1-lo&#8221;.<\/p>\n<p>Todavia, em geral, \u00e9 preciso demonstrar o dano sofrido, para que a repara\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja motivo de enriquecimento daquele que o sofreu em detrimento do causador.<\/p>\n<p>Acontece que a jurisprud\u00eancia tem entendido que, em algumas situa\u00e7\u00f5es, essa demonstra\u00e7\u00e3o n\u00e3o se faz necess\u00e1ria e, uma vez comprovada a culpa, \u00e9 presumida a ocorr\u00eancia do dano.<\/p>\n<p>Vamos ver o que o Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu com rela\u00e7\u00e3o ao <a title=\"Dano moral a quem j\u00e1 est\u00e1 com o nome negativado?\" href=\"http:\/\/www.betoveiga.com\/log\/index.php\/2012\/02\/dano-moral-a-quem-ja-esta-com-o-nome-negativado\/\" target=\"_blank\">dano moral <\/a>causado por algumas pr\u00e1ticas no sistema banc\u00e1rio (incluindo o caso das inclus\u00f5es nos cadastros de inadimplentes)<\/p>\n<p>Inicialmente, a inclus\u00e3o indevida do nome do cidad\u00e3o em<a title=\"Cadastro de prote\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito deve informar, mas Banco do Brasil, no CCJ, n\u00e3o\" href=\"http:\/\/www.betoveiga.com\/log\/index.php\/2015\/09\/cadastro-de-protecao-ao-credito-deve-informar-mas-banco-do-brasil-no-ccj-nao\/\" target=\"_blank\"> cadastros de cr\u00e9dito<\/a> geram, sem qualquer comprova\u00e7\u00e3o da ocorr\u00eancia, o dano moral e a necessidade de sua repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em recente informativo(vide endere\u00e7o ao final), o STJ chama a aten\u00e7\u00e3o para a seguinte exce\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>O dano, no entanto, n\u00e3o gera dever de indenizar quando a v\u00edtima do erro que j\u00e1 possuir registros anteriores, e leg\u00edtimos, em cadastro de inadimplentes. Neste caso, diz a S\u00famula 385 do STJ que a pessoa n\u00e3o pode se sentir ofendida pela nova inscri\u00e7\u00e3o, ainda que equivocada.<\/strong><\/p>\n<p>Outro transtorno ao qual est\u00e3o sujeitos os clientes banc\u00e1rios \u00e9 a perda de talon\u00e1rios de cheque. Nessa situa\u00e7\u00e3o o STJ informa:<\/p>\n<blockquote><p>A responsabilidade tamb\u00e9m \u00e9 atribu\u00edda ao banco quando tal\u00f5es de cheques s\u00e3o extraviados e, posteriormente, utilizados por terceiros e devolvidos, culminando na inclus\u00e3o do nome do correntista em cadastro de inadimplentes (Ag 1.295.732 e REsp 1.087.487). O fato tamb\u00e9m caracteriza defeito na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, conforme o artigo 14 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC).<\/p><\/blockquote>\n<p>Outra decis\u00e3o importante nessa \u00e1rea \u00e9 a quest\u00e3o do dep\u00f3sito antecipado de <a title=\"Erros em cheques geram dano moral\" href=\"http:\/\/www.betoveiga.com\/log\/index.php\/2011\/09\/erros-em-cheques-geram-dano-moral\/\" target=\"_blank\">cheque <\/a>pr\u00e9-datado. A S\u00famula 370 do STJ estatui que &#8220;Caracteriza dano moral a apresenta\u00e7\u00e3o antecipada de cheque pr\u00e9-datado.&#8221;<\/p>\n<p>O consumidor, portanto, deve ficar atento a essas ocorr\u00eancias.<\/p>\n<p>Endere\u00e7o para a mat\u00e9ria na p\u00e1gina do STJ: http:\/\/stj.jus.br\/portal_stj\/publicacao\/engine.wsp?tmp.area=398&amp;tmp.texto=106255<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dano moral \u00e9 uma das modalidades de consequ\u00eancias dos atos il\u00edcitos. 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