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Dinheiro e ecologia são incompatíveis?

A luta daqueles que militam no mundo da defesa ambiental é árdua. Um economista inglês, chamado Mark Boyle julgou que a única forma de trazer as pessoas para o contato direto com os danos causados à natureza por seus hábitos de consumo seria fazer com que deixassem de utilizar o dinheiro, medida que ele próprio adotou por um ano.

Antes de chegar às suas conclusões, vou falar um pouquinho das funções clássicas do “vil metal” (de fato, da moeda em sentido amplo) sob o ponto de vista econômico. A primeira é a de reserva de valor, isto é, a moeda serve para ser acumulada (dependendo do nível de inflação) para o gasto futuro. Outra função é a unidade de conta, que a expressão do valor, isto é, significa um referencial aplicável a todos os bens, em uma “linguagem” comum aos que vivem sob o regime de determinada moeda. Finalmente, o que economista em discussão deseja acabar, que é o meio de troca.

A moeda como meio de troca nos remete àquela história na qual eu tenho um tênis e quero comprar carne, de modo que preciso de um açougueiro que queira um tênis, de preferência com o pé do tamanho do calado que procuro converter em alimento. É muito mais simples utilizar o dinheiro para resolver a questão.

Voltando à polêmica, ele defende que não se utilize o meio de pagamento (dinheiro) pois julga que:

Se tivéssemos que cultivar nossa própria comida, não desperdiçaríamos um terço dela como fazemos hoje. Se tivéssemos que fabricar nossas próprias mesas e cadeiras, não as jogaríamos fora no momento em que trocássemos a decoração. Se tivéssemos que purificar nossa própria água de beber, provavelmente não a contaminaríamos.

É certo que se somos nós quem temos que lavar os pratos, procuramos ao máximo reduzir a sujeira para amenizar nosso trabalho.

De qualquer forma, embora esteja fazendo um comentário bastante coerente, com o qual concordo, a relação como o dinheiro pode ser desfeita se pensarmos na possibilidade de troca. Suponha que Mark resolva trocar o trabalho dele pelo de um marceneiro que constrói as mesas e cadeiras, como o fez com relação à comida orgânica que consome (ele troca seu trabalho em uma fazenda orgânica por alimentos). O efeito seria o mesmo que o do dinheiro. Diga-se, de passagem, que o que nós fazemos diariamente é trocar nosso trabalho pelas coisas que consumimos. A diferença é que usamos um instrumento para isso.

Infelizmente (sei lá…) não fazemos muito a conversão do nosso consumo em horas trabalhadas, como, por exemplo: este xampu custou um minuto de cálculos matemáticos (para um engenheiro).

Fica a ideia para a reflexão.

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Categoria(s): Consumo, Curiosidades


Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

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