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Cuidado com os fundos de investimentos – como espantar os clientes

Eu sempre fico com a pulga atrás da orelha quando o assunto é o conteúdo da carteira dos fundos de investimentos. Isso acontece porque uma meia-dúzia de administradores que não se preocupam com o futuro da indústria e querem resultados imediatos, tendem a espantar os investidores mais arredios. Esses investidores preferem produtos que conhecem aos fundos, justamente porque se sentem “enganados” pelos gestores.

Inúmeras são as práticas “desleais”, como a conhecida “troca de chumbo” que se caracteriza pela copra de papéis do banco X para colocar no fundo do banco Y e o banco X compra do banco Y para colocar no seu fundo.

Outra prática possível é a aquisição de papéis mais caros do que seu valor real, com o recebimento de comissões fora dos livros.

A novidade agora são os fundos que utilizam as cédulas de crédito bancário, uma ferramenta para facilitar a negociação com operações de crédito. Depois eu faço uma explicação sobre ela.

Para resumir, o que os administradores de fundos que são ligados a bancos, colocam estes papéis (CCB) na carteira do fundo. Vou explicar: os administradores pegam o dinheiro do fundo (que é do investidor) e compram o CCB do próprio banco.

Acho que em vez de achar “bonitinha” esta prática de quem não respeita aqueles que lhes depositam confiança, os banqueiros e administradores sérios de fundos de investimentos deveriam chamar os “espertos” à responsabilidade. Eles adoram clamar por auto-regulação. Além de ser totalmente adequada uma ação desta natureza por parte do sistema financeiro, esta é uma ótima oportunidade para demonstrar que querem um situação de moralidade neste sistema . .

Este meu comentário teve como fonte uma matéria do jornal Valor Econômico denominada “Operação empurrão” traz risco a carteiras de fundos.

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Categoria(s): Fundos, Regulação


Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

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