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Previdência Privada

Previdência privada, pela definição oficial “é um regime de previdência de caráter complementar”, isto é, adicional ao sistema da previdência oficial. Se você procurar no dicionário a definição de previdência, verá que é uma palavra que se refere a “ato ou qualidade de quem é previdente” (acautelado, prudente).

Enquanto a previdência social é provida pelo governo, a previdência privada é oferecida por empresas. Você entrega uma determinada quantia de dinheiro, periodicamente ou não, e esta empresa, em um momento no futuro, proporcionará uma renda extra para você.

Previdência Privada

Perceba que no sistema de previdência privada a sua adesão é facultativa, diferentemente do regime geral de previdência social (INSS), que é obrigatória.

A Constituição Federal dá as linhas gerais para o sistema de previdência privada em um artigo específico, o 202. Este artigo determina que será editada uma lei específica para tratar do assunto (Lei Complementar nº 109).

De modo geral, a Constituição estabelece algumas regras bem gerais, tais como o fato dessa forma de previdência ser facultativa, e que as contribuições que os empregadores eventualmente venham a fazer para o fundo do empregado não se caracteriza como remuneração do trabalhador (para evitar que o funcionário tenha direito a reclamar estes valores na justiça).

As empresas que oferecem planos de previdência privada focam basicamente em dois produtos: O Plano Gerador de Benefício Livre e o Vida Gerador de Benefício Livre (PGBL VGBL). Para compreender melhor como funcionam esses planos, clique nas siglas para saber do que tratam cada uma delas.

Estes planos foram criados como forma de transferir a responsabilidade pelo pagamento das pensões, que antigamente eram assumidas pela empresa, para os trabalhadores. Explicação: antigamente, você combinava um valor que queria receber na aposentadoria e a empresa estipulava o valor do pagamento mensal. No momento da aposentadoria, começava o recebimento. Agora o processo é o seguinte: você faz os depósitos e, de acordo com o que depositar e o rendimento que este dinheiro receber, você começa a sacar desse fundo (total ou parcialmente) ou, em algumas situações, transfere todo o dinheiro acumulado para a empresa de previdência em troca de uma renda mensal.

Previdência privada

Segurança

Esses planos não garantem a sua aposentadoria. Tudo dependerá de dois fatores: quanto você deposita e qual o rendimento que o fundo terá. Nesse sentido, é necessário que você esteja atento tanto para o fato de acumular seus recursos quanto nos custos cobrados pelas empresas de previdência. Lembre-se de que este comentário não é uma indicação de que você deva aderir a estes planos. A contratação de um plano dessa natureza deve ser bem avaliada, como foi discutido nas seguintes postagens sobre o tema:

Previdência Privada

Simulações

Cuidado com as simulações. Você pode pensar que terá aquele dinheiro no futuro, mas o retorno que seu dinheiro apresentará tem grandes chances de não ser aquele sugerido pelo simulador da empresas de previdência. Normalmente, eles não colocam as taxas de administração nas ferramentas oferecidas aos clientes, e essas taxas podem causar muita perda do seu rendimento.

Previdência Privada

Como comparar

Há vários provedores de planos de previdência privada que você pode consultar, antes de fechar o contrato com algum deles. Tenha em mente que haverá forte pressão para que você adquira um plano de uma empresa de grande porte. Todavia, vale considerar onde está sendo feita a custódia dos títulos dos fundos de investimento em que a empresa investe. Dá um pouco de trabalho, mas a diferença pode ser muito grande no resultado da acumulação. Uma taxa de administração de 3% pode comer quase a metade do seu resultado, nos níveis de taxas de juros girando em torno de 8,7%, se você optar por fundos com perfil conservador.

Um bom ponto de partida é visitar a página da Susep, que é quem autoriza a criação desses planos no Brasil, e verificar a lista das empresas. De posse dessa lista, você pode entrar em contado e mandar um e-mail pedindo detalhes dos fundos e das taxas cobradas. Você terá informação de sobra para fazer sua opção.

Para uma lista das empresas que oferecem planos VGBL, clique aqui.

Para uma lista das empresas que oferecem planos PGBL, clique aqui.

Se quiser saber qual plano escolher, visite esta página (PGBL VGBL).

Vale a pena também entender como funciona a portabilidade, clicando nesta postagem: O que é portabilidade do PGBL e VGBL.

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Categoria(s): Gosto mais, Previdência Privada


Sobre o Autor: Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. É também mestre em economia da regulação. Iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989. Foi gerente de produtos, de marketing e regional do segmento pessoa física. Trabalhou no Banco Central do Brasil com regulação de bancos na área de risco de mercado, derivativos de crédito, banco eletrônico, dentre outros. Realiza palestras e é autor de livros na área de educação financeira e de investimentos.

9 comentários

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  1. jorge disse:

    Apliquei a quase 1 ano a quantia de R$53.000 em CDB progresivo(Itaú)e vem rendendo a contento. Hoje tenho outros R$52.000, os quais quero também investir, não sou entendido no assunto e tenho a pretensão de obter rendimentos apenas maiores que a poupança.

    Fui ao Bradesco para fazer outro CDB para sacar após 1 ano e acabei saindo com um VGBL diversificado em 15% para ações, taxa de carregamento de 1%, taxa AA de 3%, mais nada de descontos, segundo o gerente.

    Depois que cheguei em casa já com tudo assinado é que fui pesquisar, ficando em uma enorme dúvida se fiz a coisa certa.

    O argumento que me convenceu foi que o CDB atualmente está muito ruim e que nessa modalidade de previdência em que o dinheiro foi aplicado, se eu retirar em 1 ano a rentabilidade será maior que a do CDB que eu queria, com certeza.

    Como a seguradora ainda não me ligou para confirmar, ainda tenho a chance de desistir sem perder dinheiro (fiz o plano em 28/12/2009).

    Olhando a internet, todos dizem que VGBL é para investimento à longo prazo. Não tenho data certa para retirar, mas como moro em uma cidade em expansão, a qualquer momento pode pintar um negócio bom (casa, terreno…) e eu precisarei retirar.

    Mesmo com a possibilidade iminente de sacar, posso estipular um tempo mínimo de até dois anos com o dinheiro parado lá… Mas minha dúvida substancial é a seguinte: Com o meu perfil de investisdor e com as características do plano em questão, qual o tempo mínimo eu deveria deixar o dinheiro lá? (lembrando que não quero grandes riscos, nem altísimo rendimentos e que entendendo pouco de aplicações, quero apenas uma boa opção para o dinheiro render pelo menos o dobro da poupança).

    Muito obrigado,

    Jorge.

  2. Beto Veiga disse:

    Olá, Jorge,

    Este produto que lhe foi oferecido não tem a menor adequação ao que você precisa. Você tem a intenção de utilizar o dinheiro no curto prazo, por isso, planos de previdência privada não têm a menor relação com investimentos de curto prazo.
    Outra coisa, não há como dar garantia de que o valor será maior do que o de um CDB bem negociado (ou um título do Tesouro Nacional), “com certeza”. É um grande chute. Se a bolsa cair nesse ano que vem (se alguém der garantia de 100% que a bolsa subirá, peça por escrito e com assinatura registrada em cartório), você não terá nem o que a Poupança pagaria, em razão dos custos de carregamento e de administração.
    O que o gerente quer e colocar a mão em R$ 500,00 de taxa de carregamento que ele cobrará na hora do depósito, e da parcela anual de R$ 1500,00 que o fundo receberá quando você for cobrado diariamente a taxa de administração.
    Ele propôs a participação de 15% do seu capital em ações, na expectativa de que o mercado acionário vá crescer muito nesse ano de 2010, a exemplo do ano que passou. Se você quiser correr este risco, como o período mínimo é de um ano, há como proteger-se aplicando o restante do dinheiro em renda fixa (tesouro direto, CDB-DI, etc).
    Todavia, meus cálculos com base no passado (é a única forma que tenho como fazê-lo) indicam que há 50% chance de que o dinheiro aplicado em ações esteja menor do que o que você aplicou (não se sabe também quanto menor, pode ser apenas alguns centavos quanto boa parte do capital), se o período da aplicação for de um ano. Dessa forma, se você aplicar 7.500,00 em ações e o restante em renda fixa, correrá o risco de ter uma perda nesse valor (que não deve ser muita, mas alguma), e garantir uns 8 a 10% líquidos nos 42.500,00 (supondo uma aplicação de 50.000,), de modo que você possa “preservar” o capital, expondo o dinheiro a um ganho extra com ações, se os 50% de chance não se confirmarem em seu desfavor.
    Bom, o que posso fazer a princípio é isso. Se quiser mais detalhes, sugiro que leia o Ebook do CDB, para ver uma boa negociação, e que pondere bastante sobre a aplicação em ações, a qual está jogando muito pesado contra, dado o curto prazo e à sua necessidade de saque a qualquer momento.
    Abraço do Beto e Feliz Ano Novo

  3. jorge disse:

    Melhor explicação impossível, muito obrigado!
    Como ainda é necessária uma ligaçao da seguradora para mim para que eu confirme o VGBL, vou cancelar com certeza.
    Como tem pouco tempo que comecei neste ramo, sou seu seguidor apartir de hoje.

    Obrigado,

    Jorge.

  4. Beto Veiga disse:

    Olá, Jorge,
    Fico feliz com seu comentário de volta e que o texto tenha ajudado você em alguma coisa.
    Abraço do Beto

  5. Catarino disse:

    Beto
    Muito bom e esclarecedor seu artigo sobre a Previdência Privada.
    Agradeço sua visita e comentário no meu blog.

  6. Beto Veiga disse:

    Olá, Catarino,
    Muito obrigado por sua visita ao meu blog, e por deixar este gentil comentário. Reitero meus parabéns ao seu trabalho.
    Abraço do Beto

  7. [...] discutir duas observações de Warren Buffett nesse texto para depois comentar sobre os fundos de previdência privada para pequenos e médios empreendedores.O mago dos investimentos Buffett afirmou certa vez que não [...]

  8. Arnobio Escorel disse:

    Estou em dúvida qual a melhor opção. Dentro de um ano estarei me aposentando. Tenho um previdência privada da empresa que trabalho onde acumulei o capital de R$ 740.000,00 que me dará um rendimento de R$ 6.000,00 mensal.
    Qual seria a melhor opção? Sacar o valor e aplicar de forma diversificada (ações, renda fixa e tesouro direto) ou apenas usufrui da renda mensal, mantendo o dinheiro ne previdência?

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